Por Pamela García
Comunidade, interação e engajamento são três palavras-chave para definir o fenômeno da comunicação em torno dos videogames, um setor que tem experimentado um crescimento incrível nos últimos anos, impulsionado ainda mais pela pandemia. Na América Latina,66%dos usuários jogam diariamente em seus dispositivos.
Algumas observações sobre o comportamento do público que as marcas devem levar em consideração:
● Entre os principais motivos pelos quais os usuários latino-americanos jogam jogos para celular estão a diversão e o lazer, além do relaxamento.
● 87% dos usuários da região preferem assistir a anúncios em vídeo para ganhar vidas extras, em vez de pagar
● As sessões típicas de jogos ocorrem no início da noite (17h – 20h) e 41% dos homens e das mulheres passam uma hora ou mais por dia jogando jogos para celular.
A América Latina é um mercado de jogos avaliado em US$ 5 bilhões, no qual os dispositivos móveis já conquistaram a maior parte do mercado, representando 41% do total. Até o final de 2021, espera-se que os dispositivos móveis se tornem a força predominante no mercado de jogos, com 51% da participação de mercado. A região da América Latina é, na verdade, a segunda região que mais cresce no setor de jogos em todo o mundo, atrás apenas do Sudeste Asiático, e, desde a pandemia, o entretenimento em casa só tem se beneficiado em comparação com outros setores. Dito isso, países como o Brasil e o México representam uma ampla gama de oportunidades para marcas e anunciantes alcançarem seus públicos-alvo tanto em dispositivos móveis quanto em plataformas de transmissão ao vivo.
Exemplos como “Bandersnatch”, da série“Black Mirror”da Netflix – seu primeiro conteúdo interativo –, ou a inauguração das atraçõesdo Super Nintendo Worldno Universal Studios Japan podem ser vistos como uma nova janela para que os jogos alcancem públicos-alvo em grande escala, além de promover a conscientização cultural sobre seus produtos e personagens. A marca de carros de luxoBMW patrocinando o Club Infinity Esports– a organização de esports mais relevante no México e nas Américas de língua espanhola – e a colaboração com grandes marcas de moda, como a campanhaLouis Vuitton x League of Legends, são apenas alguns exemplos de marcas entrando nessa nova arena.
Entram em cena os esportes eletrônicos, jogos de videogame disputados em um ambiente competitivo altamente organizado, que abrange desde as populares arenas de batalha multijogador online (MOBAs), voltadas para o trabalho em equipe, até jogos de tiro em primeira pessoa para um único jogador, jogos de sobrevivência do tipo battle royale e recriações virtuais de esportes físicos. Os esportes eletrônicos surgem no ponto de intersecção entre as paixões pelas indústrias interativa e esportiva. Campeonatos e competições de massa podem ser comparados a partidas de futebol mundial, com patrocínios de equipes e parcerias com a mídia como práticas comuns. Mas também podem ser comparados a um Super Bowl com mais de 200 milhões de espectadores.
Do ponto de vista do conteúdo, as possibilidades são infinitas. Figuras de destaque comoElded,Pokimane eGaulesassinaram contratos exclusivos com plataformas como a Twitch para compartilhar sua paixão e talento com as comunidades. Nesse contexto, esses programas de parceria impulsionam a monetização, incorporando publicidade e patrocínios, ao mesmo tempo em que consolidam o desenvolvimento do setor por meio dessas personalidades. Empresas esportivas tradicionais, como a NBA, estão alcançando novos públicos por meio dessas personalidades e, no primeiro semestre de 2021, houve uma transmissão conjunta ao vivo em português porGaules, um parceiro brasileiro da Twitch considerado um dos maiores criadores de conteúdo do mundo, para centenas de milhares de pessoas nesse mercado.
O Brasil não só se tornou um dos mercados mais relevantes do mundo para os esportes eletrônicos, mas também conta com uma audiência estimada de 81,2 milhões de jogadores, um público que, no ano passado, gerou receitas de US$ 1,6 bilhão. Além disso,os brasileiros são mais adeptos dos jogos para dispositivos móveis, já que 70% da população online no Brasil joga em dispositivos móveis, contra 61% da população online total nos EUA. Além disso, os jogadores brasileiros de dispositivos móveis tendem mais a se identificar como jogadores assíduos, pois são mais propensos a jogar jogos competitivos para dispositivos móveis, incluindo os gêneros de estratégia e tiro.
Eventos como oCampeonato Brasileiro de League of Legends(CBLOL) vêm prosperando no setor de esportes eletrônicos da América Latina há vários anos e se transformando em novas oportunidades para as marcas alcançarem públicos que abandonaram a TV a cabo (cord-cutters) ou que nunca a assinaram (cord-nevers), os quais rejeitam a mídia e a publicidade tradicionais.
Nesse contexto,a KitKat, da Nestlé, foi anunciada como a mais recente patrocinadora da CBLOL para a temporada 2021 do campeonato, juntando-se a marcas globais como Gillette, Red Bull e Mastercard em um esforço para se aproximar da Geração Z. Até mesmo empresas bancárias tradicionais aderiram a esses esforços, com bancos locais comoo Itaú Unibancotornando-se um dos principais patrocinadores da LOUD, a organização líder de esports neste mercado – e a mais destacada globalmente em termos de conversas durante o primeiro semestre de 2021, de acordo como Twitter. Os jogadores da LOUD estão recebendo atenção em campanhas nacionais, assim como os jogadores de futebol.
À medida que os setores tradicionais aprimoram suas estratégias para alcançar novos públicos, os meios de comunicação da América Latina também estão entrando nessa onda, criando sites mais sofisticados sobre e-sports e cultura gamer que abordam investimentos no mercado, campanhas publicitárias e melhores práticas.
A questão de como e quando a enorme onda de conteúdo de jogos e esportes eletrônicos ultrapassará os anúncios tradicionais depende da rapidez com que as marcas e os anunciantes estiverem dispostos a explorar essas possibilidades. É claro que a América Latina se encontra em um momento importante de desenvolvimento e, embora existam estratégias globais que estão se refletindo localmente, há também oportunidades regionais para que marcas e anunciantes aproveitem o potencial de negócios e apoiem o ecossistema, dando início a uma nova geração de recursos de comunicação criativa. Dialogue aqui para ajudar as marcas a aproveitar esse novo mundo tão virtual e tão real.