Os usuários querem fazer parte da sua história e ser mais do que apenas um público
Por Linda Patiño
A história das redes sociais tem demonstrado repetidamente que os formatos podem mudar, mas são as relações entre os usuários que criam valor para uma comunidade. Seja o Classmates nos anos 90, o MySpace nos anos 2000 ou o Clubhouse durante a pandemia, a razão pela qual bilhões de pessoas se reúnem nesses espaços digitais é para participar da comunidade, se conectar e compartilhar.
Hoje em dia, não basta publicar algo e esperar por curtidas e comentários. Assim como as relações públicas foram além do simples envio de comunicados à imprensa, os usuários das redes sociais não querem mais conteúdos frios e anúncios que parecem outdoors de escritório. Os prosumidores anseiam por conteúdos que os envolvam na ação, que façam parte de suas vidas, que sejam temas de conversa com a família e os amigos e que reforcem seus próprios argumentos cotidianos e sua razão de ser.
É aí que os formatos em tempo real abrem espaço para conexões valiosas. Enquanto um vídeo ou uma foto podem ser editados e preparados com todo o cuidado até nos mínimos detalhes, fazer uma transmissão ao vivo no Twitch ou participar do Spaces no Twitter, para citar alguns exemplos de interação ao vivo, pode trazer uma espontaneidade à experiência que é apreciada por todos os usuários.
Por outro lado, assim como duas cabeças pensam melhor do que uma, a espontaneidade também nos mostrou que é mais eficaz quando a estratégia é flexível e acompanha os usuários em seus objetivos. Em vez de impor nossa mensagem a eles de forma unidirecional, a cocriação de conteúdo com o público nos permite fortalecer os laços com nossos seguidores e também torná-los protagonistas em seus próprios círculos sociais, gerando um engajamento espontâneo no qual a marca, a mensagem e a estratégia são apenas intermediárias nas relações que unem as pessoas.
Basta olhar para exemplos como as coreografias incríveis do Black Eyed Peas #BEPMovementMonday
Instagram @bep
Todas as semanas, a banda destaca em seus canais vídeos de usuários de todo o mundo dançando ao som de suas músicas, mas o convite original é para que se divirtam com a coreografia e mostrem sua personalidade. Com isso, mais do que uma sequência de passos, eles receberam adaptações de seus ritmos com danças tradicionais indianas, coreografias de breakdance de artistas da América Latina e até mesmo crianças pequenas fazendo movimentos sutis enquanto são filmadas pelos pais. Independentemente do nível de habilidade, todos têm espaço para se divertir nesse processo.
As estratégias futuras para as redes sociais residem na integração dos públicos, que durante décadas foram relegados a meros receptores de informação. Aqueles que desenvolverem sua capacidade de integrar os usuários terão possibilidades reais de alcance global e viralidade, indo além do público-alvo para construir uma comunidade.