por Linda Patiño, diretora executiva da Dialogue

Depois de ter sido editor adjunto da seção de Tecnologia em um dos maiores veículos de comunicação da Colômbia e de ter colaborado com muitos outros veículos da região, às vezes me pergunto: o que torna uma entrevista boa? Não é segredo que entrevistar é uma arte amplamente estudada, na qual a preparação representa apenas 50% do sucesso. No entanto, o que um porta-voz pode fazer para dar uma boa entrevista?


Justamente por se tratar de uma conversa bidirecional (ou mesmo multidirecional, se estivermos falando de um formato ao vivo em que os usuários das redes sociais podem intervir), faz sentido que uma boa entrevista também dependa do entrevistado. Na minha experiência na mídia como jornalista, muitas vezes me deparei com vozes monótonas, monossilábicas e sem graça que tornaram o processo da entrevista um verdadeiro tormento para mim.


1. Chega de monólogos! Lembre-se de que, a menos que sejamos Platão diante de um grupo de filósofos, os monólogos geralmente não são interessantes. É comum que um porta-voz se apresse em “transmitir” todas as mensagens-chave logo na primeira pergunta. Mas quanto mais concretas e consistentes forem nossas mensagens, mais perguntas poderemos responder e mais conseguiremos envolver o jornalista no que temos a dizer. Não antecipe as respostas. Confie no processo.


2. Esteja atento às pistas. A arte de ser um bom porta-voz não consiste em disparar mensagens contra o jornalista como se fosse um discurso de formatura. A arte reside em compreender quando a mensagem principal tem valor para a conversa, para a pergunta que está sendo feita e para o público que a ouvirá. Uma entrevista é uma oportunidade de demonstrar valor e contribuir para uma discussão, não uma reunião para forçar o veículo de comunicação — ou a você mesmo — a se tornar um “outdoor” corporativo.


3. Não seja banal. Um terceiro fator-chave é perceber quando sua fala é muito ensaiada ou “comum” e não permite que sua originalidade transpareça. Essa abordagem ensaiada não só desmotiva o jornalista, pois ele tem outros 20 porta-vozes que poderiam dizer o mesmo (e provavelmente melhor), mas também limita a oportunidade de explorar novos ângulos de um determinado tema para fazer a diferença. Ser um bom porta-voz é identificar traços de sua personalidade e experiência que tornem a conversa uma experiência única.


4. Personalize o treinamento. Praticar é importante; ensaiar, dedicar tempo para refletir sobre suas ideias e saber como expressá-las com mais clareza sempre será uma vantagem em relação àqueles que não levam isso a sério. No entanto, ficar preso a um único modelo, a uma espécie de “manual de orientação” ou a uma única mensagem limita sua capacidade de se enriquecer a cada conversa. Nesse ponto, as agências de relações públicas e os treinadores de mídia têm muito espaço para inovar, especialmente na era digital.


5. Seja autêntico e humilde. Falar alto, de forma agressiva ou tentar parecer engraçado não são características essenciais de um bom porta-voz. A capacidade de apresentar um ponto de vista que beneficie uma empresa não deve envolver estratégias manipuladoras. O respeito pelo jornalista, pelo seu trabalho e pelo que ele representa faz parte da dimensão ética que as empresas devem ter.

Dialogue